O bar que djavaneou
Havia um bar em São Paulo onde se ouvia música boa. De tão boa que era, o chopp podia até ser ruim. E era, mas nós os bebíamos aos montes. As porções então, nem se fala. A calabresa vinha com gosto de filé aperitivo, a batata frita era mole e brilhante e por aí vai. Só que a música era boa, logo, comíamos aos montes também. Com raras exceções, estávamos todos os dias lá. Esse amigo meu e eu. Para quem puxava papo, esse amigo meu gostava de dizer que o bar era dele. Íamos ao bar mais que o próprio dono! Até que um dia... a música djavaneou, sabe como é? Ficou meio Tins e Bens e tais. E o chopp, que sempre foi ruim, ficou intragável. A cozinha virou asiática: dava uma puta azia no dia seguinte. E não houve o que fazer. Em poucas noites, fomos nos despedindo da turma. Esse meu amigo passou a dizer que havia vendido o bar. Um dia, o cigarro acabou e lá, é claro, não tinha minha marca. Meu amigo e eu nos olhamos. Fizemos um breve aceno pro garçom. Pagamos a conta (do mês) e saímos, para nunca mais voltar.
Escrito por Turma do Bar do Zé às 11h35
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